quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Descansa Em Paz...

Às portas da morte, todos nós nos rendemos à fé. Sabia que era uma questão de tempo até que passasses para outra vida. Talvez nessa vida nos voltemos a encontrar com todo o amor das nossas vidas anteriores. Se Deus existe, ele é imensamente cruel para mim. Via-te naquela cama de hospital... Sofrias a cada dia que passava, pioravas consecutivamente.
«Se realmente existes, leva-a, leva-a para junto de ti.», as lágrimas jorravam-me pelo rosto.
Como se Ele me ouvisse, tu acordaste.
«Amor, sinto-me muito melhor, em breve poderemos ir para casa...», disseste-o com um tom de esperança.
«Não amor, nunca mais vamos para casa...», chorava consecutivamente.
«Porquê?».
«Porque essas melhoras que sentes, são as melhoras da morte...».
O azul dos teus olhos espelhou simetricamente a dor na tua alma...
«E já que estás de partida... Eu queria perguntar-te uma coisa...».
«Tudo o que queiras meu amor...», a tua voz tremia.
«Queres casar comigo?».
«Não há coisa que eu mais queira neste momento...»
Coloquei-te a aliança na mão esquerda e em seguida coloquei-a a mim. Beijei-te uma última vez antes de partires.
«Descansa em paz meu amor...»
Segundos depois todas as máquinas tinham parado, tinhas partido.

sábado, 13 de agosto de 2011

Eu Quero Ficar Contigo Para Sempre...

As lágrimas escorriam-te pelo rosto como nunca antes tinha visto. Abraçava-te agora esperando, cada vez mais nervoso, a hora do adeus. Seria um adeus definitivo, um até sempre. Seria o fim de uma história de amor, o fim de uma grande amizade.
O meu ombro estava molhado pelas lágrimas que choravas. Levantaste o rosto e beijámo-nos. Era um beijo quente e apaixonante. Era um beijo acompanhado de um abraço cheio de saudade. Saudade essa que estaria adormecida dentro dos nossos corações.
«Preferia que me tirassem já a vida, do que ma tirarem lentamente, como estão a fazer...» - disse-to honestamente.
«A minha alma está vazia, tudo o que resta nela é dor e desespero. Não me deixes, sem ti nada serei...»
«Cada lágrima que derramas, cada suspiro que dás fazem-me reconsiderar a minha decisão. Sinto-me vulnerável e sem forças quando não estás ao pé de mim. Mas... Tens que te ir embora, para o teu bem... Para o nosso bem...»
«Mas o nosso bem é um ao lado do outro, nos bons e nos maus momentos, nas lágrimas e nos sorrisos. O nosso bem é amarmo-nos como nos amamos agora, sem deixar que alguém nos separe. Por favor, fica comigo até à morte...»
«Não...»
As lágrimas agora mostravam o teu render.
«Já não me amas? É por isso que não ficas comigo?»
«Não... Só acho que a morte, seja um futuro muito próximo para te deixar. Eu quero ficar contigo para sempre, quer seja vivo ou morto. Quer seja no Céu ou no Inferno...»

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vamos Para O Céu...

Naquela praia reinava o barulho do mar... O nosso silêncio falava muito mais alto que qualquer palavra que pudéssemos dizer. Para confirmar tudo isso, só tinha que te olhar nos olhos. Aquele azul profundo reflectia o brilho do sol. Escorreu-te uma lágrima mas eu apressei-me a limpá-la.
Apesar do teu silêncio me dizer tudo, achei por bem falar contigo.
«Sabes que apesar da distancia que nos irá separar, o nosso amor manter-se-á tão forte como está agora.»
«Não tem nada haver com isso... A distância a que vamos estar será muito maior.»
«Vais mudar de país? Seja como for amor, irei contigo para onde fores...»
«Para qualquer lado mesmo? Será que estás disposto a vir comigo para o sítio mais longe "deste mundo"?»
Ao dizeres aquelas palavras sorriste de uma forma irónica.
«Claro que sim meu amor. Para onde é que vamos querida?»
«Vamos para o céu...»
As lágrimas agora, escorriam-nos em simultâneo...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Promete-me...

«Promete-me que quando eu morrer, não vais jorrar uma única lágrima.»
«Mas isso é impossível... Sabes que a saudade sempre foi inimiga do amor.»
«Não... A principal inimiga do amor é a indiferença. A saudade é a prova que o amor é realmente verdadeiro.»
Estávamos deitados na nossa casa de campo e pensávamos em todos os momentos já vividos. Eram momentos carregados de sentimentos intensos, sentimentos esses que jamais serão esquecidos, memórias passadas que permanecerão nas nossas mentes até ao fim das nossas vidas. Morreríamos com o mesmo amor do primeiro dia em que nos vimos.
Passava os meus dedos pelo teu cabelo loiro. Era suave e brilhante.
«Quando morreres, quem é que me vai fazer aquilo que tu estás a fazer? Quem é que me vai sussurrar ao ouvido a palavra amo-te, quem é que me vai ouvir como tu ouves, quem é que me irá proteger de todos os perigos do mundo? Quem é que vai tomar conta de mim?»
«Se o céu me permitir, tomarei conta de ti o resto da minha eternidade, até que venhas ter comigo.»
«Não, eu não quero viver sem ti, eu não sei viver sem ti e também não quero aprender. Eu amo-te tanto que a palavra não deveria chamar-se amor.»
Uma lágrima escorreu-me pelo rosto. Não tinha arranjado argumentos para contrapor o que disseste.
«Claro, levar-te-ei comigo para onde quer que vá...»
«Prometes?»
«Prometo.»

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Precipício...

O silêncio tomava conta de toda a floresta. Tinha percorrido todo o mundo à tua procura, aquele era o ultimo lugar onde o tinha que fazer. As lágrimas começaram a escorrer-me pelo rosto, não havia qualquer sinal de ti... Ouvia os teus pensamentos cada vez mais perto à medida que ia andando.
«Continua, estás quase a consegui-lo! Eu estou mesmo aqui amor!».
«Onde? Tudo o que eu vejo é escuridão...»
Continuei a andar até que cheguei a um precipício.
Observei o meio que me envolvia num sentimento de tristeza e dor. O céu estava negro, com imenso nevoeiro. Olhei para baixo, tentando ver o fim daquele precipício. Parecia infindável, tal como, o desespero que sentia. Estava virado para o precipício a pensar o quanto gostava de ti. Até então não tinha encontrado palavras para descrevê-lo.
« Não desistas. Estás mais perto que nunca, eu estou aqui!»
Olhei à minha volta mas não estavas em sítio algum. Virei-me novamente para o precipício tentando ver para além do nevoeiro. Nada...
«Eu... Não te encontro! Por favor diz-me onde estás, diz-me o que tenho que fazer para te encontrar novamente!».
«Só tens que dar um passo em frente meu amor...».
Quando tomei a realidade daquelas palavras, as lágrimas caíram-me novamente. Estavas morta.
«Aguenta, aguenta só mais um bocadinho amor...».
Dei um passo em frente e deixei que o infindável precipício tomasse a minha alma...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dei Um Passo Em Frente...

A saudade que sentia fazia com que perdesse todas as forças. Sabia que jamais te voltaria a ver senão noutra vida. Mas não podia parar de te procurar...
Encontrava-me no cimo de um prédio. De lá, conseguia ver as luzes de toda a cidade numa fantástica harmonia com a luz das estrelas.
Só havia um lugar onde não te tinha procurado: na morte.
Antes de te procurar lá, precisava de saber que não estarias noutro lugar...
Começou a chover e as lágrimas escorriam-me do rosto. Agora sabia que não estavas no mesmo mundo que eu, agora eu tinha certezas e respostas.
Subi para o para o parapeito do prédio pronto para saltar.
«Não faças isso, eu estou bem e a seu tempo tu virás ter comigo.».
Era a tua voz, eu sabia-o. Olhei para trás mas tu não estavas lá.
«Eu não aguento nem mais um segundo sem ti amor. Tu não estás bem, nunca soubeste mentir. Aguenta, eu estou a chegar.».
Sem te dar tempo para responder, dei um passo em frente...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lembra-te Da Chuva...

Olhava pela janela do meu quarto, vendo a esplêndida mistura de luzes que a grandiosa cidade me proporcionava. Segurava um copo de whisky enchido apenas até meio e pensava naquilo que para mim, desde sempre, fora inevitável.
Onde estarias tu? Procurava-te há imenso tempo, mesmo sabendo que haviam hipóteses de te encontrar sem vida. Dei um gole.
Este queimou-me a garganta.
De seguida, olhei para as nuvens na esperança que elas me dessem uma resposta... Mas nada.
Na minha mente, a única imagem que via, era a do teu rosto. As saudades e o desespero de talvez nunca mais te ver destruíam-me a alma.
«Nunca te esqueças, que por muito longe que esteja, estarei sempre a teu lado... A chuva... Lembra-te da chuva...» - Lembrava-me agora das ultimas palavras que proferiste...
«E onde é que estás agora?! Onde é que estás quando eu mais preciso de ti?!» - Num acto de tamanha inconsciência atirei o copo contra a parede, voltando-me de costas para a janela.
Voltei-me novamente na tentativa de encontrar uma resposta nas nuvens. E começou a chover. Agarrei no meu casaco e saí. Ia ter contigo, quer estivesses longe ou perto, a chuva dar-me-ia todas as respostas que precisava.
Na rua, já com o peso da chuva sobre o corpo, sorri:
«Obrigado!».

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Sentimento Inesperado...

Há anos que tinhas partido... Há imenso tempo que não sentia o teu toque, que não cheirava o teu perfume, que não ouvia a tua voz ou os teus pensamentos. Há imenso tempo que não sentia a tua presença nem o teu amor. Na verdade, a única coisa que podia fazer era ver-te. Via-te nos meus sonhos, não sei se era de forma inconsciente ou não, mas todas as noites tu aparecias para me contemplar com toda a tua beleza. Eu não dormia para descansar, porque disso eu já não precisava. Eu dormia apenas para sonhar contigo, para te ver. Sempre que adormecia, ia para aquele sítio... E lá estavas tu, naquele banco, à minha espera. Nunca te ouvia, mas sempre que estavas feliz ou triste, eu sabia-o. Mostravas mo através de sorrisos ou de lágrimas.
Mas naquela noite, as coisas foram diferentes. Disse-te o mesmo que te dizia todas as noites:
«Não te vás embora, não sem mo dizeres primeiro...»
E foi aí que a chama que se extinguia no interior dos nossos corpos se reacendeu com um tamanho sentimento inesperado.
«Não, eu não me vou embora, se fosse, levar-te-ia comigo. Sabes que te amo acima de tudo...»
Nesse preciso instante, beijámo-nos e consegui finalmente sentir o teu toque, ouvir a tua voz e cheirar o teu doce perfume...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Promessa...

O barulho da chuva e do vento impedia que ouvisse a tua voz. Estavas perto, eu sentia-o.
Com o peso da incessante chuva no corpo, começava a perder as forças...
«Não, tenho de continuar... Tenho que te encontrar o mais rapidamente possível!»
Continuei andar, até que uma enorme escuridão abateu se sobre mim.
Não via nem ouvia nada, realmente, parecia que estava morto.
«Encontraste-me...». Aquela voz era inconfundível. Era a tua voz...
«Onde é que estamos?»
Começaste a chorar, esplendidamente. Tu eras lindíssima, mas eu, de um certo modo, gostava de te ver chorar, tornavas tudo o que estava à tua volta bonito, até mesmo, mágico.
«Estamos mortos...». E foi nesse preciso instante que comecei a sentir o meu corpo gélido e que vi a cor lívida que tinha.
«Mas como? Eu estava à tua procura, como é que de um momento para o outro nós...?». Na minha voz notava-se um tom de incredulidade.
«Chegaste tarde demais, eu não tive forças para aguentar, desculpa. Sabias que se eu partisse, tu virias comigo...» As lágrimas continuavam a escorrer-te pelo rosto.
«O nosso amor ultrapassava qualquer impossibilidade, conseguia ouvir os teus pensamentos e sentir os teus sentimentos... Porque é que estás tão triste?»
«Porque... Isto é um adeus. Um adeus eterno, jamais nos voltaremos a encontrar...»
«Espera, não vás já, onde é que te posso encontrar? Porque é que... Não te esqueças que te amo!» Já era tarde demais, tinhas partido.
Agora, estou exactamente no mesmo sitio em que me deixaste, à espera que voltes para que possas ouvir as únicas palavras que nunca ouviste: Até um dia...
Sim, aquilo era uma promessa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Montanha.

Daquela montanha via o oceano a prolongar-se perante os nosso olhos. O azul do mar juntava-se com o do céu. Na água, reflectia-se o brilho intenso do sol, este incidia também sobre o teu cabelo loiro.
Não havia saída, as ondas do mar cercavam-nos com a sua tremenda força. Nunca mais veríamos o mundo para além daquele azul imenso.
Morreria contigo, iria para onde a morte nos levasse, tomaria conta de ti tal e qual como em vida o fizera.
O sol estava a pôr-se e o céu começava a escurecer. As únicas escolhas que tínhamos era aguardar que a morte nos tomasse ou tomarmos nós mesmos a própria morte. Apesar situação, a escolha que iríamos tomar já estava à muito pensada. Agarrei-me a ti, encaminhando-te para o fim.
«Espera... Quero ver pela última vez o brilho da lua e das estrelas.».
«Claro, tudo o que quiseres...», agora tudo o que podia fazer por ti era simplesmente isto...
A lua e as estrelas brilharam mais que nunca sobre os nossos olhares.
«Estás pronta amor?».
«Agora estou...».
Encaminhámo-nos para o precipício...
«Amo-te».
«Amo-te».
Uma lágrima escorreu-te pelo canto do olho. Limpei-a de seguida.
«Ficaremos juntos, prometo»
E saltámos...