sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Cabana...

A minha mão encaixava na tua como duas peças de um puzzle encaixavam entre si... A tua voz entoava na minha cabeça com as palavras mais doces do mundo. Naquela cabana, havíamos vivido um turbilhão de emoções. Tantas lágrimas jorradas, quer por tristeza ou felicidade, tantos sorrisos mostrados, quer sinceros ou forçados. Apesar de toda a dor que sentíamos em momentos difíceis e árduos, o nosso amor prevalecia. Era mais forte que qualquer corrente oceânica, que qualquer vento brusco. Era mais forte do que o próprio Universo. Ajustando-se ao mesmo, também era Infinito. Estejas onde estiveres, estás a ouvir estas palavras a ecoar na tua cabeça. Sabes que farei o possível e o impossível para te encontrar e trazer novamente para esta cabana. Sabes que só pararei de lutar quando um de nós morrer...
Ao escrever isto, uma lágrima escorreu-me do rosto. Estava sentado junto à mesa de madeira que ocupava um bom espaço da sala de estar. Esta estava agradavelmente quente mas o meu coração permanecia gelado. Escrevia estas palavras e estas mesmas eram carimbadas  com lágrimas. Eu iria procurar-te por todo o mundo...
De um momento para o outro senti uma brisa gélida nas costas; a porta abriu-se.
«Não precisas de ir muito longe...».
Era a tua voz... Os meus músculos petrificaram e as lágrimas fluíam como a água de uma bela cascata...
Realmente tinhas ouvido tudo aquilo que tinha escrito, e tinhas decidido fazer o mesmo: procurar-me.
Num ápice saltei da mesa e envolvi-te nos meus braços. O gelo do meu coração automaticamente ficou reduzido a chamas. Agora o meu mundo estava mais completo que nunca. Beijei-te e prometi-te que nunca mais te iria deixar partir...

domingo, 6 de novembro de 2011

Tu Não Estás Aqui...

Caminhava sobre o fogo ardente, que a dor da tua ausência me causava. Desde a tua partida que não escrevo, que não expresso os meus sentimentos e emoções. Desde que partiste que estou morto. Apenas vivo de toda a dor que a saudade me proporciona.
Ter a consciência que me deixaste, sem saberes o quanto te amava, transforma parte da minha dor em arrependimento.
Tal como as folhas das árvores eram arrancadas pelo vento, no inverno, um pedaço da minha vida caía-me aos pés a cada segundo que passasse longe de ti. Ansiava pelo teu calor, pelo teu beijo, pelo teu toque. Ansiava por ver o teu magnífico rosto, que de tão belo e inocente que é, provoca um vazio constante dentro do meu coração. Esse vazio, ocupar-se-a apenas com a tua presença. A nossa chama extinguia-se consoante o tempo que passava, mas o meu amor por ti, dava-lhe o combustível necessário para que o seu maravilhoso e brilhante  fogo não cessasse. Eu lutaria até ao fim, daria tudo o que tenho e o que não tenho, mas não vale a pena, tu não estás aqui...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A História Das Nossas Vidas...

Para escrever a história da minha vida, teria automaticamente que escrever a da tua... Ambos nascemos no dia em que nos conhecemos e ambos morreremos a partir do momento em que não estejamos um com o outro. Para escrever a história das nossas vidas, necessitaria de uma imensidão de folhas, pois não foram poucos os "Amo-te", não foram poucos os momentos em que te protegi, em que te abracei e beijei. Não foram poucas as vezes que chorámos, sentindo a dor, que a ausência um do outro nos causava. Mas mesmo assim, consigo perceber que durante a nossa história, existiram e haverão de existir inúmeras vírgulas, mas jamais um ponto final. Consigo perceber que se te perder uma vez, nunca mais te terei de novo, nunca mais encontrarei alguém, alguém que fosse a minha vida e ao mesmo tempo a razão de viver. Estejas onde estiveres agora,  quero que saibas que ainda temos muitas páginas em branco, que gritam silenciosamente para serem escritas... Cabe-te a ti preenche-las... Cabe-nos a nós não deixar que ela acabe...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tarde Demais...

Desde a tua partida, nunca mais chovera. Desde que te foste embora que a noite não vem até mim, que todas as flores, deixaram de florir. Desde a tua partida que o meu coração já não bate como batia. As nuvens cobriam o céu, ocultando assim, o brilho do sol da meia-noite. Todo aquele lugar estava escuro e negro, sem qualquer sinal de vida. Tudo o que era cor, fora levado por ti, juntamente com a minha alma.
E todos os dias eu ia para aquela falésia, aguardar o teu regresso. Dias e dias a fio, sem que visse qualquer detalhe do teu rosto. As esperanças desvaneciam-se com o passar dos dias. A minha vida já há muito tempo que não fazia sentido, todas aquelas razões tornavam a ideia cada vez mais fixa. Observei a enorme falésia, que me aliciava cada vez mais a tomá-la. Andei em frente, com a ideia de que jamais hesitaria, jurando a mim mesmo não voltar atrás. À medida que ia avançando, uma voz chamou o meu nome. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e os meus músculos petrificaram. Virei-me devagar, na dúvida de que tudo não seria uma ilusão. E lá estavas tu... Cada pormenor do teu inocente rosto permanecia exactamente igual depois daqueles anos todos. Tinhas vindo para tirar de mim, a única coisa que ainda não tinhas: a esperança e a minha vida.
«Espera, não faças isso!», gritaste.
Amei-te uma vez, não podia cometer o erro de te amar outra vez. Dei um passo para trás e deixei que a morte me levasse. Enquanto caía, as nuvens desapareceram e o sol, mostrou novamente os seus raios ao mundo. As flores, floriram como nunca antes o tinham feito. O meu coração, voltou a bater tão rápido como antes.
«Tarde demais...».

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Amor Não Tem Limites...

O mar bramia fortemente, ecoando no meu pensamento. Caminhava pela beira-mar, sentindo a areia fria sob os pés molhados. Pensava em ti enquanto o mar batia  nas rochas. Lembrava-me do teu sorriso, do teu olhar inocente e profundo, do teu perfume e do teu toque mágico de fazer as coisas. Lembrava-me de todo o amor que oferecíamos um ao outro, na esperança de receber cada vez mais do mesmo. A brisa soprava ao de leve fazendo com que o meu cabelo levantasse suavemente. Nunca cheguei a cumprir a minha promessa nem tu a tua. Não tínhamos ficado juntos para sempre, mas tínhamos vivido o suficiente para saber que o amor não tem limites. Cada segundo passado ao teu lado, aumentava a dependência que tinha de ti. Na realidade, o amor não passa de uma droga que, por muito alucinante que seja, nos vai matando aos poucos, causando-nos ilusões de estabilidade e conforto. E para este tipo de droga, só existem duas curas: uma á a morte, a outra, és tu...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Sonho...

Escrevia-te cartas mesmo sabendo que nunca as irias ler.
Escrevia-as com todo o amor que guardava dentro de mim... Escrevia-as contigo no meu pensamento... Escrevia-as com lágrimas nos olhos, sabendo que jamais te voltaria a ver. Poderia dizer-te que iria ter contigo, mas a mentira seria tão grande quanto a dor que sentia. Mesmo morrendo sabia que nunca te iria encontrar novamente, um amor destes, só existe uma vez. Uma única vez. O pensamento de te ter novamente junto a mim, fazia com que o meu coração falhasse uma batida. Na verdade, ele batia porque simplesmente tinha que bater. Batia sem qualquer razão para bater... Todo ele estava preenchido pela escuridão e saudade. Tudo o que poderia fazer era dormir. Dormir à espera de um sonho em que visse novamente o teu rosto, perto do meu, ouvindo a tua respiração ofegante e o bater dos nossos corações, desta vez, batendo um pelo outro... E nesse sonho, a minha esperança, não seria ter-te novamente nos meus braços, mas sim, nunca mais acordar...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lembrar-me-ia De Ti?

A escuridão apoderava-se da minha alma, a cada segundo que estivesse longe de ti. As minhas forças eram ínfimas, mas mesmo assim, eu não desistia de te procurar. A única coisa que as alimentava era um amor como o nosso. Tinha esperança que estivesses viva... Olhei para o céu à espera de uma resposta. Nem a Lua nem as estrelas me deram uma.
Prossegui caminho sempre contigo no pensamento.
«Se tiver que morrer sem ti, que seja depressa...».
Percorri mais uns metros com a esperança a ser a penúltima a morrer. O último seria eu...
Estavas deitada naquele chão seco, já sem vida. Aproximei-me e segurei no teu corpo.
«Desculpa, não consegui chegar a tempo... Amo-te tanto como no primeiro dia em que te vi...».
Olhei para o céu num acto de revolta.
«Leva-me, leva-me também. Leva-me para junto dela...».
De um momento para o outro, a chuva abateu-se sobre os nossos corpos. Abri os braços para me entregar completamente à chuva e à morte.
A nossa história, em vida, nunca chegou a ter fim. Mas agora que vou a caminho, todas as minhas forças e esperanças de te encontrar voltaram a ficar cheias. Lembrar-me-ia de ti? A nossa história precisava de um fim...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As Nuvens...

As nuvens preenchiam o céu, assim como a saudade me preenchia o coração.
Tinha ficado demasiado tempo longe da única coisa que me fazia estar vivo. Estava a morrer pouco a pouco, como se a cada segundo que passasse, uma parte da minha vida fosse consumida pela vontade de te ver. A dor provocada por tamanha saudade era insuportável, fazendo-me avançar até à ponta do infindável penhasco. Se não estivesse contigo, não valeria a pena viver.
«Não faças isso, tu sabes que podes encontrá-la. Usa o teu coração, usa a tua alma.».
Aquela voz... Era a mesma voz que me dizia sempre o que fazer nas alturas mais difíceis.
Olhei para a frente em busca de respostas. Nada. Procurei concentração, na tentativa de ouvir os teus pensamentos. Nada.
Dei mais uns passos em direcção à ponta do penhasco, preparando-me para saltar.
«Não! Não saltes, por favor... Eu estou aqui...».
Esta era a voz que eu há muito desejara ouvir. Virei-me na tua direcção e caminhei até ti. Sentia o teu perfume e o toque da tua mão na minha.
«Onde é que andaste? Porque é que desapareceste?».
«Desapareci porque te amo, e andei todo este tempo à tua procura.»
«Se me amasses, não me terias deixado.», beijei-te num acto de refúgio.
«A partir de agora, jamais te deixarei...».
«Assim espero, meu amor...».
Ao abraçar-te de novo, olhei para o céu. Tinha descoberto.

sábado, 10 de setembro de 2011

Até Que Um De Nós Partisse...

Naquela noite estrelada, conseguia ver o brilho das estrelas nos teus olhos. No teu cabelo, incidia o brilho da lua, com uma luz magnificamente encantadora.
«Amor, vais ter que me prometer uma coisa...».
Olhei para ti seriamente, com receio do que virias a dizer.
«Tudo o queiras...», apesar de o ter dito com convicção, por dentro, a minha voz tremia.
«Nunca te esqueças de mim.», na tua voz, haviam tons de medo e de incerteza.
«Seria impossível isso acontecer...».
«Nunca me deixes.», as lágrimas começavam a aparecer nos teus olhos. Nunca tinha visto olhos tão belos como os teus.
«Não te posso prometer isso...».
«Eu sabia que tudo isto seria bom demais...».
«No dia em que te deixar, um de nós terá partido...». As lágrimas agora escorriam-te a fio. As lágrimas tornaram-se prata no momento em que o brilho daquela noite cintilante incidiu sobre as mesmas.
«Prometo que ficarei sempre ao teu lado.», ao dizeres aquilo, também as minhas lágrimas começaram a emergir. Limpei o teu rosto, e beijei-te.
«Só mais uma coisa... Costumas cumprir as tuas promessas?», esta pergunta, fez com que o meu coração falhasse uma batida.
«Já alguma vez falhei alguma?».
«Não.» - Com aquela resposta, fiquei a saber que, afinal, seria contigo que iria passar o resto da minha vida, até que um de nós partisse.

domingo, 4 de setembro de 2011

A Tua Alma...

Observava a tua alma através dos teus olhos. Neles, estava espelhado a dor e a saudade sentidas até então. Neles, ardia um fogo intenso sobre um gelo petrificante que consumia a cada segundo que passava um pedaço da tua vida. O amor tem a durabilidade de um arco-íris, é belo enquanto existe, e igualmente provável que desapareça num abrir e fechar de olhos...
«Este adeus, será um adeus eterno. Talvez nos encontremos na próxima vida...».
«É isto mesmo que queres?».
«Não, é isto mesmo que tem que ser...».
«Então... Explica-me apenas porquê...».
«A razão para tudo isto é a mais simples de todas: porque te amo.».
«Se me amasses ficavas comigo, morrias comigo...».
«Às vezes o amor e o ódio são sentimentos muito semelhantes e fáceis de confundir.».
O brilho da lua reflectia-se agora nos teus olhos. As lágrimas começavam a cair, trazendo esse brilho com elas.
«Está na hora não é?».
«Sim, está na hora...».
Agarrei no meu casaco e dirigi-me à porta.
«Espera...».
O meu corpo ficou gélido.
«Guarda isto...»
O fio de prata que me deste era lindo. Beijei-te, sabendo que aquela, seria a última vez que o faria.
«Sempre que olhares para esse fio, lembra-te dos meus olhos. Vais ver que neles, só verá lágrimas jorradas por ti. E será só neles que encontrarás o verdadeiro significado do amor...»
Desta vez, dirigi-me para a porta sem olhar uma única vez para trás. A minha alma e o meu coração tinham ficado naquela casa, contigo.