domingo, 11 de novembro de 2012

Vida A Preto E Branco.

O jardim estava tão vazio como o meu coração.
O vento agitava furiosamente as árvores e os arbustos.
O meu cabelo dançava ao sabor do mesmo e o meu coração batia cada vez mais depressa. Na verdade, era a única coisa que me fazia acreditar que ainda estava vivo. Desde que partiste que eu nunca mais fora o mesmo. Os meus olhos deixaram de brilhar e de ver a beleza nas coisas, os meus lábios, desde então, não haviam expressado um único sorriso. As minhas lágrimas secaram e a vida deixou de ter qualquer significado. Tudo era a preto e branco, sem qualquer ponta de luz para iluminar a escuridão.
Pergunto-me onde estarás neste preciso momento; pergunto-me para onde a morte te terá levado.
«Para longe de mim, é certo...».
Depressa fui para casa. Deitei-me na cama e contemplei a imagem da Lua. Já nem o seu brilho brilhava como antes...
Decidi ir dormir.
Todas as noites rezava para que, no dia seguinte, não estivesse lá para ver o Sol nascer...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Eu Vou Encontrar-te...

A luz da Lua incidia sobre o mar, a areia estava fria e não havia ninguém de mim naquela praia.
Uma leve brisa passava-me pelo rosto. Decidi deitar-me e observar as estrelas. Era magnificamente perfeito a intensidade do seu brilho. Era um jogo de luzes mágico e cativante que cintilava à medida que o meu coração ia batendo. Faziam-me viajar ao passado. Todas as alegrias, todas as tristezas eram revividas numa simples contemplação das estrelas.
Pelo meu rosto passeavam agora lágrimas. A tua imagem incidira na minha mente e quando isso acontecia, era inevitável tentar não derramar uma lágrima.
Limpei o rosto e pus-me de pé.
«Eu vou encontrar-te!», gritei com a esperança de que me pudesses ouvir.
De seguida, debrucei-me de joelhos sobre a areia e já sem força para as conter, explodi em lágrimas...
«Eu vou encontrar-te, prometo...», disse-o sussurando.

domingo, 22 de julho de 2012

Dormência

Os candeeiros da rua piscavam de tão fracas que estavam as suas luzes.
O meu coração batia lentamente; parecia que já não tinha força para bater. Acendi um cigarro e no maço li "Fumar Mata". Na realidade, eu já estava morto. Levaste contigo todas as minhas forças. Levaste contigo a vontade que tinha de sorrir, de chorar, de viver; levaste contigo a minha alma e com ela, todo o amor que sentia.
Agora, vou vivendo com as memórias e recordações do passado, que invade o meu pensamento a cada segundo que passa.
As pessoas passavam e tremiam com o frio. Há muito tempo que deixara de sentir o que quer que fosse. O meu corpo e a minha alma entraram em plena dormência. Perdi a fé, perdi a esperança, perdi tudo o que me fazia querer viver... Já faz algum tempo em que podia dizer que era feliz...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

As Estrelas...

No extenso prado que cobria grande parte daquela floresta, observava a chuva de estrelas.
Estrelas ardentes passeavam no Universo gelado, dando fogo e luz ao mesmo. Mas ainda mais longe de mim do que as estrelas estavam, estavas tu. A dor da distância fazia-me perder a força e a vontade de viver. A minha esperança esgotara-se e no meu mundo, as únicas coisas que residiam, era o preto e o branco. Não havia cor em lado algum, excepto nas estrelas. As estrelas dançavam alegremente pelo céu...
Talvez fosses tu que estivesses a olhar por mim dali de cima... O teu rosto veio-me à memória e o meu coração falhou uma batida. A minha respiração começou a ficar mais lenta e a saudade que habitava no meu coração começou a espalhar-se pelas minhas veias como um veneno. Lutava constantemente para me agarrar à vida, mas já não tinha forças. Decidi entregar-me à morte para ver até onde esta me levava. Fechei os olhos e sofri em silêncio. Pouco tempo depois, o meu coração acalmara, o veneno desaparecera e a minha respiração voltara ao normal. Quando abri os olhos vi-te e abracei-te em sobressalto. Sentia-me vivo novamente mas sabia que aquilo, era a morte.
«Onde estamos amor?», perguntei mesmo já sabendo a resposta.
«Nas estrelas! Ali, era onde tu estavas deitado. Eu andei sempre contigo!», disse emocionada.
«Agora é para sempre?».
«Não, até o sempre um dia terá fim...»

sábado, 31 de março de 2012

A Vida Já Não Tinha Qualquer Significado Para Mim...

A chuva caía no chão mas não da maneira como caía antes, o brilho do sol já não era tão intenso, o azul do céu já não era tão bonito e a vida já não tinha qualquer significado para mim. Nada parecia tão belo a partir do momento em que partiste. O meu mundo desmoronara-se como um grande muro que protegia o meu coração. A chama que me mantia vivo por dentro extinguíra-se. Tudo o que restava em mim, eram memórias e recordações... Memórias do teu cheiro, memórias do teu toque. Memórias que ainda me faziam sorrir apesar da tristeza carregada em cada sorriso. Isso, era tudo o que me mantia vivo. Era tudo o que me mantia ligado a ti, a nós. Não deixaria esta vida porque não iria cumprir a promessa que te fizera... Tu querias ver-me feliz, mas feliz, seria a última coisa que eu iria estar. Tu eras a minha felicidade, a minha vida, o meu amor e a minha esperança e tudo isso fora arrancado de mim...
Olhei para o céu estrelado e, pela primeira vez depois de partires, comecei a chorar. As lágrimas de cristal escorriam-me pelo rostos caindo e quebrando-se ao embaterem no chão. Passávamos noites inteiras na praia a observar o céu.
Tudo isso acabara, olhei para baixo, limpei as lágrimas dos olhos e continuei o meu caminho em busca de algo que me desse vida como tu me deste...

domingo, 18 de março de 2012

Se Morresses, Eu Morreria Contigo...

Sob as estrelas do luminoso céu, abraçava-te intensamente. Fi-lo porque o pressentimento de que te ia perder assombrava a minha alma. Dos teus olhos fluíam lágrimas, apressei-me a limpá-las e sentámo-nos na relva daquele fresco prado. A brisa suave de verão embatia sobre ti emanando o cheiro do teu perfume...
«O que tens amor?».
«Estou feliz por finalmente estar aqui, contigo, para sempre...» - as lágrimas caíam agora mais rápido.
Beijei-te.
«É mesmo para sempre?» - o receio que tinha de te perder não havia desaparecido.
«Não! Na verdade, vou partir! Vou deixar aquilo que eu mais amo, a minha vida, a minha razão de viver. Vou deixar tudo isso para trás...» - os meus olhos abriram-se de incredulidade.
«Vais deixar-me? Porquê?! Eu preciso de ti, ao pé de mim...» - agora também eu chorava.
O silêncio abatera-se sobre a noite gélida por alguns segundos.
«Desculpa.».
 Foi tudo o que disseste olhando para o relógio. Cada segundo parecia eterno, o meu coração bombeava lentamente. Se aquilo não era o fim, então estaria muito próximo.
Levantaste-te e preparaste-te para partir.
«Eu amo-te, leva isso contigo no coração...».
«Eu também te amo.».
«Então leva-me contigo. Leva-me para onde quer que vás, mesmo que esse sítio seja a morte...».
E com um forte abraço e um beijo intenso, consegui perceber que a resposta era positiva.
As lágrimas agora caíam-me de felicidade. Se morresses, eu morreria contigo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Harmonioso Barulho Da Chuva...

Com o harmonioso barulho da chuva a bater na janela do nosso quarto, não conseguia dormir.
Cada gota era uma nota musical criando assim, uma perfeita melodia...
Olhei para o lado, vi que dormias profundamente e lembrei-me do quanto adoravas aquela chuva... Estou certo de que a estavas a ouvir, mesmo não estando acordada. Acariciei-te o rosto e beijei-te. Os meus lábios frios embateram sobre os teus que ferviam como lava.
Era uma sensação única, nostálgica e deveras cativante. Cada beijo era especial, inesquecível.
O beijo que ateara o fogo do nosso amor seguia o ritmo da chuva.
Agora, não só a melodia recitada pela chuva estava perfeita, como também todo o momento o estava. Tudo estava perfeito devido ao facto de nunca mais haver distância entre nós.
Tu agora estás comigo, para o todo e eterno sempre...
E na chuva granizada que batia no parapeito da janela como pequenos meteoros, continuavas tu, adormecida pelo som de tão bela melodia...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Meu Coração...

Sobre os longos prados da dor, o meu coração bombeava saudade. Saudade de viver, saudade de sentir, saudades de chorar e de sorrir. O meu coração sentia saudades de amar.
Não deixando cicatrizar as feridas, a minha mente relembrava cada momento passado.
Tempos de amor, de felicidade.
A cada dia que passa a saudade aumenta e o meu coração vai batendo cada vez mais devagar.
Mas nem tudo é mau... Ainda oiço a tua voz. É ela que me garante que estás à minha espera onde quer que estejas e que estás comigo para onde quer que eu vá.
Entre nós, ainda há amor, mas o meu coração ainda sente saudades. Sente saudades tuas. Sente saudades de bater aceleradamente, de se sentir vulnerável, de sentir o teu coração a chamar por si...
Ele sente saudades disso tudo, sente e continuará a sentir.
Por ele, passarão ventos, mas dele nunca arrancarão a memória e a saudade daquilo que, em tempos, lhe deu vida...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Teu Lugar É Comigo...

Será a dor assim tão relativa? Tratar-se-á de algo cuja mente possa controlar?
Se realmente é, a minha não tem a capacidade de o fazer.
Desde que partiste que a tua ausência me provoca um enorme e constante vazio que me corre pelas veias, atingindo-me no coração. A cor esvaiu-se do meu mundo tão rápido como a chuva cai do céu. Vejo-te em sonhos, tão bela como quando te vi pela última vez. O teu cabelo loiro brilha sob a luz do Sol e da Lua; os teus olhos azuis transmitem amor e inocência e a tua pele, branca como a areia dos grandes desertos, é pura e límpida.
Cada vez que me lembrava do teu rosto era impossível não derramar uma única lágrima. Chorava para que, com toda a dor que sinto, os Céus me devolvessem aquilo que para mim, era a vida. O teu lugar é comigo, eu tenho que tomar conta de ti.
Tomando a consciência do absurdo que tinha pensado, floresceu nos meus lábios um sorriso bastante irónico. Era impossível isso acontecer...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Tu Nunca Te Foste Embora...

Do cimo daquele monte observava a linha do horizonte... Dali conseguia ver toda a extensa floresta. Nada tinha a mesma beleza que costumava ter quando ainda estavas comigo. As pétalas das flores e as folhas das árvores rendiam-se à gélida brisa que por ali passava; os pássaros já não cantavam e o sol já não brilhava. Todo o céu estava coberto por nuvens negras que ameaçavam explodir a qualquer hora. Uma lágrima escorre-me pelo rosto, relembrando-me de como adoravas aquela floresta.
Pelos campos da saudade, o meu coração batia cada vez mais devagar... Aguardava agora de joelhos que a morte se abatesse sobre mim. Entretanto, começou a chover...
«Tu vieste, aliás, tu nunca te foste embora...». Era tarde demais... As minhas forças e a minha esperança esvaíram-se do meu corpo dando lugar à mágoa e à saudade. Por fim, caí no chão já sem vida... Quando acordei, vi-te a olhar para mim, com o mesmo olhar doce e calmo de sempre...
«Não amor, eu nunca te deixei... Estive contigo em cada lágrima que derramaste...».
«Desculpa, não aguentei viver longe daquilo que me fazia sentir vivo, daquilo que me fazia feliz...».
«Não tem problema, a partir de agora, serás só tu e eu...».
«Prometes?».
«Prometo».

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Decidi Partir E Não Olhar Para Trás...

Pelas veias percorria-me a saudade... O meu coração bombeava continuamente esta dor que, de segundo para segundo, aumentava desesperadamente. Na minha alma abria-se um buraco negro que absorvia todos os meus sentimentos e todas as minhas emoções. Uma lágrima escorreu-me pelo rosto. O vazio que sentia apoderava-se de mim, preenchendo a minha mente com recordações assombrosas.
«Fica comigo...», pediste tu com as lágrimas nos olhos.
«Não posso. Tu sabes que eu te amo e sabes que é por isso mesmo que eu vou partir...», disse.
«Então vai, vai e não olhes para trás; parte dois corações sem derramares uma única lágrima e lembra-te de todo o amor que te dei sem sentires uma ponta de saudade. Se realmente me amas, faz-me um grande favor: sê feliz... sê feliz para onde quer que vás...».
«Será impossível ser feliz sem te ter a meu lado, mas levar-te-ei comigo no meu pensamento e no meu coração. Amo-te, nunca te esqueças disso...».
«Eu também te amo.», disseste baixando a cabeça.
Dos teus olhos escorriam agora imensas lágrimas, cada uma delas de forma diferente mas todas elas eram magníficas.
Decidi partir e não olhar para trás, porque tenho a certeza de que, se o fizesse, colocaria em causa a minha decisão...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cartas Sem Destino...

Sentado naquele sofá, dei por mim a reviver cada momento passado contigo. Em todos esses momentos havia algo que eu não tinha no presente. Esse algo eras tu...
Escrevia cartas com a esperança que, do céu, tu conseguisses lê-las. Ao fazê-lo, as minhas lágrimas iam carimbando cada palavra que escrevia.
A tua imagem não me saía do pensamento; o som da tua voz, ecoava melodiosamente pelos meus ouvidos como uma leve brisa de Verão; o cheiro do teu perfume invadia-me o olfacto fazendo com que histórias avassaladoras me atravessassem a mente.
«Com muito amor, de quem mais te ama...».
Outra carta sem destino havia sido escrita. Iria arrumá-la na gaveta, junto das outras, para que, no dia em que acordar e não me lembrar de ti, relê-las e poder reviver cada momento junto de ti...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Perdi As Forças E A Esperança...

Caminhava descalço pela superfície húmida daquela floresta... As minhas forças, esvaíam-se tão rápido como a minha esperança. A possibilidade de te encontrar tornava-se ínfima. Parei e fechei os olhos. Procurava algo que me alimentasse, procurava o som da tua voz, procurava o cheiro do teu perfume. Procurava acima de tudo, o teu toque. A suavidade da tua pele, o calor do teu beijo e a ternura do teu abraço.
O meu coração estava mergulhado numa profunda dor que abundava de saudade.
«Fica comigo!», disse para os céus. As nuvens estavam cinzentas, prontas para chover. Mas mais rápidos foram os meus olhos que derramaram as mais sinceras lágrimas de amor.
Por fim, as forças esvaíram-se por completo e rendi-me ao poder que a dor da saudade exercia em mim. Fechei novamente os olhos, com a última esperança de que tudo não passasse de uma ilusão. Tentei abri-los mas parecia que a morte se tinha apoderado da minha alma. Eu estava morto. Poderia olhar por ti sempre que quisesse, e é certo que o iria fazer todos os segundos. Não precisas de ter medo de morrer meu amor, é mais rápido que adormecer...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Pelo Extenso Oceano...

Navegávamos no nosso pequeno barco pelo extenso oceano. As marés estavam calmas e o sol brilhava magnificamente, rflectindo o brilho do teu cabelo e dos teus olhos...
«Não existe sítio neste mundo onde eu preferisse estar...» - a minha voz transmitia segurança mas o sorriso não apareceu nos teus lábios.
«Passa-se alguma coisa meu amor?» - inquiri.
«Só tenho medo de te perder... Comparado com esse medo, acho que não há nada de que tenha receio...».
Inclinei-me ligeiramente para a frente e olhei-te nos olhos. Ao fazê-lo, perdi-me no imenso azul que eles possuíam, e as palavras começaram a escassear. Por fim, disse:
«Minha princesa, o único dia em que, aparentemente, me vais perder, será o dia da minha morte. Digo aparentemente porque mesmo estando do outro lado, estarei sempre contigo. Proteger-te-ei dos perigos do mundo e cuidarei de ti como tenciono fazer em vida. A única coisa que não será igual é o facto de não me poderes ver e tocar. Mas para compensar essa dor, poder-me-ás sentir...».
«Amar-me-ás para sempre?» - a tua voz tremia e consegui sentir que as lágrimas estavam para vir...
«Para sempre? Não. Para sempre é um espaço muito curto para o tempo que te vou amar. Amar-te-ei eternamente, visto que o sempre pode ser já amanhã. Tenho a certeza que nos encontraremos numa outra vida e em outras mil que viveremos. O nosso amor é demasiado forte e especial para ser vivido numa só vida. Mas estejas onde estiveres, eu vou procurar-te. Quer passe um ano, uma década, um século ou mesmo um milénio...».
Encostaste a cabeça ao meu peito e os teus olhos explodiram em lágrimas. Decidi envolver-te com os braços.
Sorriste.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Uma Em Milhões...

Conseguia ouvir os nossos corações a baterem com a mesma intensidade e precisão. As chamas das nossas almas ardiam agora com fulgor, provocando um calor intenso e reconfortante nos nossos corpos. Os teus olhos fixavam os meus, e neles, consegui ver a inocência e o amor de um ser frágil e vulnerável. O brilho que neles se afixava era intenso e sincero. Um brilho como esse, restringia-se apenas às pessoas que amavam verdadeiramente.
As lágrimas escorriam-me pelo rosto...
«O que é que se passa?».
Para ser sincero, nem eu sabia o que se estava a passar. Aos meus olhos, afluíam lágrimas de medo e de alegria... Decidi não mentir:
«Tenho medo de te perder mas ao mesmo tempo, sinto-me feliz por poder abraçar-te, beijar-te e tocar-te...».
«A única razão que tens para chorar, é o facto de estarmos aqui, os dois, abraçados para toda a eternidade...».
As lágrimas depressa te contagiaram, começaste a derramá-las.
«E porque é que tu estás a chorar?». O meu coração estava apertado e a minha respiração cada vez mais ofegante.
«Porque a nossa eternidade, acabará amanhã...». No meu rosto estava espelhada a incredulidade e a dor que aquela notícia me provocara. A vontade de gritar era enorme, mas da minha boca não saía um único som. Com dificuldade, acabei por dizer:
«Porquê?».
«Tenho uma doença raríssima e amanhã, por esta hora, estarei a olhar por ti lá de cima. Decidi não contar-te porque a última imagem que queria ter de ti era a sorrir. E a ultima palavra que quero ouvir da tua boca é um «Amo-te». Por favor, vamos viver esta noite como se fosse a última...».
«Não será o nosso amor mais forte que essa doença?».
«Existe uma hipótese em milhões de eu sobreviver...».
«Meu amor...» - sorri - «Vou agarrar-me a essa hipótese com toda a força que tenho... Para achar o amor da minha vida, também só tinha uma hipótese em biliões. No entanto, tu foste essa hipótese... E por isso, amar-te-ei até ao último segundo das nossas vidas... E digo nossas, porque quando a tua acabar, a minha acabará também.».
E num ambiente de amor e esperança, envolvi-te num abraço reconfortante...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nunca Aprenderei A Viver Com Isso...

Caminhava pela escuridão densa daquela praia. Apesar do calor nocturno, o meu corpo e o meu coração permaneciam gélidos. Parei e sentei-me na areia...
«Se estivesses aqui, poderias ver nos meus olhos, todo o amor que sinto por ti...».
Agarrei numa pedra e atirei-a ao mar, saltitando por entre as ondas.
«Devia ter-te dito tudo em vida...».
Começou a chover... Lembrava-me de como amavas aquele tempo. Uma lágrima escorreu-me pelo rosto, disfarçada pela chuva. A tua voz ecoava na minha cabeça sem um único momento de pausa. A velocidade a que as lágrimas me afluíam, agora, era estonteante. Agarrei-me às memórias e revivi momentos magníficos e avassaladores simultaneamente. Momentos de amor, de prosperidade, de dor e de saudade. Revivi cada um com a minha mente, desejando a cada segundo uma segunda oportunidade.
Olhei para o mar... Estava negro e sereno. O barulho que fazia era calmo e acolhedor, fazendo-me sentir igualmente calmo. Sorri sarcasticamente revoltado com o destino. A tua perda causara em mim efeitos que mais nada poderia causar. Se aprenderei a viver com isso? Não, nunca...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A Despedida...

Estou deitado na cama do quarto de hotel a aguardar a tua chegada. Esperava que chegasse o adeus, que fosse a última vez que te visse ou tocasse. A partir desse momento, começariam as insónias, os apertos no coração, a vontade de chorar e até mesmo a dificuldade em respirar. A partir desse momento, a minha vida ficaria a preto e branco e a minha alma ficaria enterrada num buraco negro, sem fim.
Ouvia passos no corredor, mas sabia que nenhum deles eram os teus. Enquanto esperava, levantei-me e preparei um copo de whisky, dirigindo-me para a janela. Contemplei toda a cidade e nela vi um enorme jogo de luzes que cintilavam de um lado e de outro.
O meu coração começou a bater cada vez mais depressa, agora ouvia os teus passos, suaves e proporcionais, a aproximarem-se. Bateste à porta do quarto. Apressei-me a ir abri-la...
«Sabes que chegou a hora, não sabes?», foi tudo o que disseste.
«Só não percebi o porquê...», as lágrimas escorreram-me do rosto. Toda a minha dor e angústia estavam agora a fluir como rios...
Aproximaste-te de mim e beijaste-me. Agora também os teus olhos estavam húmidos.
«Prometes-me que ficas bem?».
A ridicularidade daquela pergunta fez-me sorrir ironicamente.
«Como é que eu posso ficar bem se estou pela última vez com a pessoa que mais amo nesta vida? Como é que posso ficar bem se tudo aquilo que eu tenho me está a ser arrancado assim? Desculpa mas não posso prometer-te isso...».
Viraste-me as costas e dirigiste-te para a porta.
«Vais-te mesmo embora?», a minha voz tremia de tanta incredulidade.
Paraste durante alguns segundos. Por momentos pensei que tinhas colocado em causa a opção de ficar.
De seguida continuaste o teu caminho, sem olhar uma única vez para trás.
No meu mundo, tinha-se abatido, instantaneamente uma escuridão profunda. Nunca mais voltaria a ser o mesmo...  

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Cabana...

A minha mão encaixava na tua como duas peças de um puzzle encaixavam entre si... A tua voz entoava na minha cabeça com as palavras mais doces do mundo. Naquela cabana, havíamos vivido um turbilhão de emoções. Tantas lágrimas jorradas, quer por tristeza ou felicidade, tantos sorrisos mostrados, quer sinceros ou forçados. Apesar de toda a dor que sentíamos em momentos difíceis e árduos, o nosso amor prevalecia. Era mais forte que qualquer corrente oceânica, que qualquer vento brusco. Era mais forte do que o próprio Universo. Ajustando-se ao mesmo, também era Infinito. Estejas onde estiveres, estás a ouvir estas palavras a ecoar na tua cabeça. Sabes que farei o possível e o impossível para te encontrar e trazer novamente para esta cabana. Sabes que só pararei de lutar quando um de nós morrer...
Ao escrever isto, uma lágrima escorreu-me do rosto. Estava sentado junto à mesa de madeira que ocupava um bom espaço da sala de estar. Esta estava agradavelmente quente mas o meu coração permanecia gelado. Escrevia estas palavras e estas mesmas eram carimbadas  com lágrimas. Eu iria procurar-te por todo o mundo...
De um momento para o outro senti uma brisa gélida nas costas; a porta abriu-se.
«Não precisas de ir muito longe...».
Era a tua voz... Os meus músculos petrificaram e as lágrimas fluíam como a água de uma bela cascata...
Realmente tinhas ouvido tudo aquilo que tinha escrito, e tinhas decidido fazer o mesmo: procurar-me.
Num ápice saltei da mesa e envolvi-te nos meus braços. O gelo do meu coração automaticamente ficou reduzido a chamas. Agora o meu mundo estava mais completo que nunca. Beijei-te e prometi-te que nunca mais te iria deixar partir...

domingo, 6 de novembro de 2011

Tu Não Estás Aqui...

Caminhava sobre o fogo ardente, que a dor da tua ausência me causava. Desde a tua partida que não escrevo, que não expresso os meus sentimentos e emoções. Desde que partiste que estou morto. Apenas vivo de toda a dor que a saudade me proporciona.
Ter a consciência que me deixaste, sem saberes o quanto te amava, transforma parte da minha dor em arrependimento.
Tal como as folhas das árvores eram arrancadas pelo vento, no inverno, um pedaço da minha vida caía-me aos pés a cada segundo que passasse longe de ti. Ansiava pelo teu calor, pelo teu beijo, pelo teu toque. Ansiava por ver o teu magnífico rosto, que de tão belo e inocente que é, provoca um vazio constante dentro do meu coração. Esse vazio, ocupar-se-a apenas com a tua presença. A nossa chama extinguia-se consoante o tempo que passava, mas o meu amor por ti, dava-lhe o combustível necessário para que o seu maravilhoso e brilhante  fogo não cessasse. Eu lutaria até ao fim, daria tudo o que tenho e o que não tenho, mas não vale a pena, tu não estás aqui...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A História Das Nossas Vidas...

Para escrever a história da minha vida, teria automaticamente que escrever a da tua... Ambos nascemos no dia em que nos conhecemos e ambos morreremos a partir do momento em que não estejamos um com o outro. Para escrever a história das nossas vidas, necessitaria de uma imensidão de folhas, pois não foram poucos os "Amo-te", não foram poucos os momentos em que te protegi, em que te abracei e beijei. Não foram poucas as vezes que chorámos, sentindo a dor, que a ausência um do outro nos causava. Mas mesmo assim, consigo perceber que durante a nossa história, existiram e haverão de existir inúmeras vírgulas, mas jamais um ponto final. Consigo perceber que se te perder uma vez, nunca mais te terei de novo, nunca mais encontrarei alguém, alguém que fosse a minha vida e ao mesmo tempo a razão de viver. Estejas onde estiveres agora,  quero que saibas que ainda temos muitas páginas em branco, que gritam silenciosamente para serem escritas... Cabe-te a ti preenche-las... Cabe-nos a nós não deixar que ela acabe...